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terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

O Tenente

Não é porque minha rua é um pouco inclinada ou com grandes obstáculos, mas num pequeno trecho, nunca venci um Mercedes-Benz. Minha missão diária era esperar o caminhão entrar em minha rua e dar início a uma corrida em plena na subida, eu na calçada e ele no asfalto numa disputa injusta é verdade, ele com todos seus cavalos e eu com minhas pequenas e finas pernas de mula.

Essas brincadeiras ficaram para trás, hoje já aceito meus 26 anos, todos morados aqui, na Rua Tenente Godofredo Cerqueira Leite, até hoje não sei bem quem foi esse homem, obviamente um militar, que deve ter honrado as cores da bandeira para ganhar uma rua com seu nome.

Ele de certo não, mas as vezes me pergunto se seus familiares souberam dessa homenagem, esses dias vi uma família fazendo poses para foto aqui, até pensei que pudesse ser parentes felizes por ter seu nome de família eternizado na placa de minha rua. Outras no máximo, tem o nome eternizado no SPC.

A rua até que é grande, tá de bom de tamanho a homenagem, talves um Coronel já chiasse, iria querer no mínimo mais uns 5 quarteirões, um Marechal então, não aceitaria menos que um bairro inteiro, mas o Tenente já deve estar pulando de alegria lá no céu ( Eu acho).

Uma ponta da rua dá para Avenida Sapopemba, a outra ponta dá para o início de uma favela, lá as ruas são bem diferentes da minha, estreitas e mal asfaltadas, então não tenho o que me queixar, tampouco o honrado Tenente.

Outro dia conversava com meu colega que morou no Japão e estava lá ganhando a vida na terra do sol nascente, da Toyota e do Pokémon, ele contou-me que lá muitos dos bairros são verdadeiros labirintos, que as ruas são desconexas e quando você caminha por uma rua achando que irá parar em algum lugar, você simplesmente acaba se perdendo.

A lenda conta, que lá no Japão, isso se deve aos antigos samurais, que construíam seus bairros assim propositalmente, pois quando os inimigos viessem atacar, acabariam se perdendo. Bem parecido com aqui no Brasil, afirmei para ele.

Em um futuro bastante otimista, nossos netos contarão que muitos dos bairros no Brasil, eram chamados de favelas, e tinham também o formado de labirinto, para proteger o comércio dos samurais do tráfico, assim os inimigos fardados se perdiam ao entrar nas favelas.

Também falamos das rivalidades entre nações, um fenômeno cultural, assim como Brasil e Argentina, lá a coisa também pega entre Japão e China, eu particularmente, dou graças a Deus por ser brasileiro e rivalizar com a Argentina, até porque se todos chineses pularem ao mesmo tempo, a terra sairá do eixo e com toda certeza o Japão sumirá do mapa coberto por água. Ainda bem que minha rua fica do outro lado do mundo.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

São Paulo de fulano, sicrano e beltrano


Nesta crônica não serei irônico ou ardiloso, prometo, afinal, é uma crônica comemorativa de 456 anos da cidade de São Paulo. Cidade de fulano, sicrano e beltrano, São Paulo nossa, acolhedoramente nossa.

Para fazer uma singela homenagem, posto aqui a letra de uma música sobre São Paulo, até caio em clichê, eu sei, mas que seja clichê, o que importa é, que a música tocada em meus ouvidos e cantada por minha voz é "Sampa", do Caetano Veloso. Logo eu, que não possuo nenhuma afinidade por suas canções, mas mesmo assim essa música me marca.

Claro que não só a mim, deve marcar muitas outras pessoas, como marca época também, tanto que se fosse escrita hoje, talvez ao cruzar a Avenida Ipiranga com a São João, ele não sentiria algo preencher o seu coração e sim sumir de seu bolso, ou ao invés de "a dura poesia concreta de tuas esquinas", descreveria, “a dura pichação no concreto de tuas esquinas”.

São Paulo é assim, enorme, que muda de forma muito acelerada, sofre uma mutação desenfreada como relata sua música. Pergunto-me se hoje os novos baianos apenas passeariam na terra da garoa, ou mergulhariam em suas enchentes assustadoras.

Uma coisa é certa, não só os novos baianos, mas todos podem curtir São Paulo numa boa, que é uma cidade maravilhosa e muito acolhedora, aliás, como diria Juca Kfouri, fã confesso do Caetano, o único problema de São Paulo é não chamar-se Corinthians.

Como pode notar, não cumpri a promessa feita acima, desculpa, fica com raiva não, foi força de hábito.

Sampa

(Caetano Veloso)

Alguma coisa acontece no meu coração
Que só quando cruza a Ipiranga e a avenida São João
É que quando eu cheguei por aqui eu nada entendi
Da dura poesia concreta de tuas esquinas
Da deselegância discreta de tuas meninas
Ainda não havia para mim Rita Lee
A tua mais completa tradução
Alguma coisa acontece no meu coração
Que só quando cruza a Ipiranga e a avenida São João
Quando eu te encarei frente a frente não vi o meu rosto
Chamei de mau gosto o que vi, de mau gosto, mau gosto
É que Narciso acha feio o que não é espelho
E à mente apavora o que ainda não é mesmo velho
Nada do que não era antes quando não somos mutantes
E foste um difícil começo
Afasto o que não conheço
E quem vende outro sonho feliz de cidade
Aprende depressa a chamar-te de realidade
Porque és o avesso do avesso do avesso do avesso
Do povo oprimido nas filas, nas vilas, favelas
Da força da grana que ergue e destrói coisas belas
Da feia fumaça que sobe, apagando as estrelas
Eu vejo surgir teus poetas de campos, espaços
Tuas oficinas de florestas, teus deuses da chuva
Pan-Américas de Áfricas utópicas, túmulo do samba
Mais possível novo quilombo de Zumbi
E os novos baianos passeiam na tua garoa
E novos baianos te podem curtir numa boa

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Televisão Safadinha

Isso mesmo, a televisão é safadinha; O sexo nunca esteve tão presente na televisão brasileira. Do programa do Jô, às pegadinhas eróticas do Silvio Santos. É sério, até sinto falta da “comportada” banheira do Gugu, que antes constrangia apenas donas de casa desavisadas e hoje seria algo até puritano diante de tanta exposição corporal. São glúteos, mamas, e muita “pegação” na televisão.

Com tanto sexo exposto, talvez fosse melhor se todo aparelho de televisão fabricado além de já ser estéreo fosse estéril, assim ninguém correria risco de engravidar vendo TV. Eu sei, a analogia é tosca, mas minha preocupação é muito verdadeira. O sexo está em toda programação, até mesmo no esporte, mas todos sabem que o único problema, é que na hora “H” o Palmeiras sempre brocha (prometo que é a última piada infame).

Eu até gostaria de sugerir ao governo brasileiro, que se crie um canal exclusivamente para toda essa pornografia que tanto amamos, e claro, aproveitar para enchê-lo de horário político, afinal, uma boa putaria nunca falta nesses programas. Calma, eu sei que estou desbocado, mas fala sério, aparece cada figura trajada de forma bizarra, falando coisas bizarras, buscando votos de eleitores bizarros, então nada mais justo, que dar-lhes espaço na grade de programação.

Aliás, podia até ter um programa de auditório, onde o político dos seus sonhos faria um streap-tease e dependendo do desempenho, a platéia encheria sua cueca de dinheiro. A única coisa que não seria permitido é fazer uma oração depois da samba-canção estiver cheia de grana. Contudo, analisando pela forma física de muitos deles, teriam que ter muita sorte para conseguir colocar um único real na ceroula, iriam precisar de muito trevo de quatro folhas, pé de coelho, ferradura de cavalo, e até galho de arruda. Arruda? Nossa! Esse programa não vai dar em boa coisa.

Para liderar essa programação, poderiam chamar a Gretchen, que além de possuir experiência na telinha, já saiu como candidata política e ainda gravou filmes pornôs; É bem verdade que em nenhuma dessas 3 frentes ela foi tão bem assim, mas de qualquer forma me parece que a rainha do bumbum é a pessoa qualificada, afinal, estamos falando de um canal de bacanal, e não de algo recatado e certinho.

Falando em certinho, para ficar perfeita a programação, poderia ter uma atração de orgia, voltado para pessoas, digamos, mais moderninhas e desapegas com o tradicional. Já até imagino o roteiro, com oito anões, cinco garotas vietnamitas, seis albinos, 32 mulatas (preferência para brasileiras) e quatro cabras; Aí é só gritar gravando, que teríamos um programa recorde de audiência. O que acha?

Que foi? Não gostou das cabras? Não entendeu? Usa imaginação, ou você não é moderninho (a)? Talvez ainda seja quadrado do tempo da banheira do Gugu. Se não gostou da minha idéia, não fica aí fazendo cara feia, saí para lá com seu mau-olhado, que para o seu governo, eu to segurando um galho de arruda aqui na mão. Arruda? Meu Deus, melhor deixar isso para lá, essa crônica está ficando politicamente incorreta.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Herói? Sei não viu!

Mais vale um covarde vivo, do que um herói morto. A coragem, nunca me foi uma das qualidades mais sobressalentes. Para ser honesto, até trago comigo pavores de coisas muito estranhas, como o medo de borboletas. Não sei porque, mas acho que elas tramam algo contra minha pessoa. Esse lance de primeiro ser lagarta e só depois virar uma libélula, não me cheira muito bem.

Não sou um herói, definitivamente não, ao contrário de muitos que aspiram ser, não compactuo com esse lance de heroísmo, sou totalmente contra. Ainda mais, desses que aparecem nas telas de cinema, pois eles próprios atraem todo tipo de inimigo para suas cidades onde vivem.

Não gostaria nem por um segundo morar na cidade do Homem-Aranha, pois lá aparece um inimigo mais aterrorizante que o outro. Tanto Batman, quanto Superman, ou ainda muito pior, o X-Men, não te trazem a mínima sensação de segurança.

Qual a vantagem de tê-los em sua cidade te protegendo? Eu respondo, nenhuma. Conviver com esses heróis, é o mesmo que conviver com o constante medo de sua cidade ser ataca, por um louco desvairado, também com super poderes, que cospe fogo pela boca, mata 1000 inocentes, para só no fim e somente no fim, eu repito mais uma vez, só no fim, ser capturado pelo nosso suposto herói.


Pior ainda são os Japoneses. É até aceitável, quando aqueles 5 ou 6 palhaços, cada um com uma cor de roupa, lutam com monstros de outros planetas, mas sinceramente, quando eles resolvem usar aqueles gigantescos robôs, os estragos são irreversíveis, a ponto de os donos de imobiliária arrancarem os cabelos de desespero.

Com as batalhas, eles simplesmente destroem toda cidade. Juro que é melhor então ser atacado pelo monstro, pois toda vez que esses robôs tentam impedir, derrubam pelo menos 30 prédios, 20 viadutos, e mais umas 10 montanhas, para enfim com uma espata liquidar o bicho do mal, supostamente mais ameaçador que isso. Fala sério! O que realmente dá mais medo? O pobre King – Kong, ou o robô dos Power Rangers?

Quer saber? Detesto os heróis, a não ser que exista um, que te salve contra as abomináveis borboletas, se alguém conhecer, me avisa, tem uma aqui voando pela janela.

terça-feira, 17 de março de 2009

Saúde ou Insanidade

Tem coisas que me deixam espantando na vida, como a que ocorreu esses dias, presenciei uma cena curiosa, vi duas pessoas abrindo um verdadeiro debate, para saber quem mais sofreu no hospital com o ataque de suas respectivas úlceras, ambos contavam verdadeiras epopéias, de como venceram a doença, seus olhos brilhavam de orgulho contanto suas batalhas no certame hospitalar, o auge foi quando exibiram suas cicatrizes de operação, pareciam ostentar verdadeiras marcas de guerra, que provavam suas onipotências e com sorriso no rosto diziam, “eu venci a morte”, como se a Morte ligasse ter perdido, e se ligar, será que ela vai querer revanche? Tomara que não.

A verdade é que há gente contanto vantagem sobre tudo, seja quem “pegou” mais na balada, quem ganha o melhor salário, quem freqüenta os melhores lugares, quem ganha mais presentes, quem tem mais amigos no orkut, mais contatos no msn, enfim, contar vantagem é uma coisa da natureza do ser humano, mas vantagem por doença, já é complicado né?

Comecei a reparar mais, toda vez, que alguém vem contar algo que aconteceu relativo à saúde, o outro interlocutor, já se prepara para contar também suas experiências, e caso ele não tenha passado pelo mesmo, conhece alguém que passou, nem que seja o amigo do amigo, mas conhece, além é claro de ter sempre uma receita milagrosa para cura do problema, e quando você pergunta se ele já usou, desconversa, dizendo que não teve oportunidade, mas que funciona, pode apostar que funciona. De fato, de medico e louco todo mundo tem um pouco.

A inovação mais legal que fizeram até hoje, foi levar gôndolas para as farmácias, antes tínhamos vergonha de pedir vários remédios no balcão, agora é só fazer a lista e encher a cestinha, aliás, elas já estão quase do mesmo tamanho da cesta do supermercado, não vejo a hora de emplacarem também o sistema do carrinho, e até mesmo a venda no atacado. Você já percebeu que existem algumas empresas que entre os benefícios dados para seus funcionários, está dando o “vale remédio”? Até na cesta básica, não se assuste se entre o arroz e o feijão vier o analgésico junto.

Pois é, remédio tornou-se uma tentação, ganharam cores, sabores, artistas belos e bem sucedidos para promovê-los; Tomar remédio já é algo inerente a todos nós; Agora, o que mais me chama atenção são seus nomes muitos atrativos, que só de ler já é um convite ao consumo compulsivo, eu mesmo adoro quando leio Paracetamol, Diclofenaco Sódico, Amoxicilina, mas para mim, o que me deixa doidão de vontade de provar quando leio, é o Ibuprofeno, vendo pelo nome, deve ser de arrasar quarteirão hein? Bom, vou lá na farmácia e já volto.

terça-feira, 3 de março de 2009

Você é On?


Vem cá, me responde uma coisa, você é on?

Você está “linkado” a rede mundial de computadores? Você faz parte de quantas comunidades virtuais? Você tem mais amigos virtuais do que de carne e osso? Você fala “miguxes”? Você tem um Avatar? Nada disso? Então segundo alguns, você é out.

A internet é o lugar que te leva ao mundo inteiro, você pode fazer amizades com pessoas de cada canto do planeta, o lugar onde se concentra as pessoas mais lindas e espertas que já se ouviu falar, na internet ninguém é feio, sem forma ou sem cultura, todos são misteriosos, atraentes e com vidas cheias de aventuras. Eu mesmo, já emplaquei três namoros virtuais, mas nada que me fizesse querer conhecer a garota pessoalmente, para não quebrar o encanto, nem o meu e nem o dela. Isso mesmo, a internet é um conto de fadas, nela você é livre para ser o que quiser e para enganar quem você quiser também.

E pensar que eu estava quase largando tudo isso, esse mundo lindo, com essas pessoas maravilhosas, já que andei levando alguns sustos com o Orkut. O fato, é que os últimos acontecimentos me deixaram paranóico, revelando o que a internet pensa sobre a minha pessoa, e não foram bons pensamentos. Tudo começou quando notei, que eu havia sido expulso da comunidade dos Vegetarianos, sem qualquer prévia satisfação, será que descobriram que nesse ano eu já compareci a 3 churrascos? Se for, tudo bem, sei que tenho culpa no cartório, mas o que não sai da minha cabeça, é também ter sido excluído da comunidade “sua inveja me fortalece”. Era tudo o que me faltava, ser visto como invejoso que estava lá na comunidade apenas de olho gordo na felicidade dos outros, dá para acreditar? Para eles eu devia ser uma laranja podre.

Mal supero ambas as exclusões, vem o golpe baixo, para acabar comigo ou qualquer crença em um mundo justo, trata-se da minha última expulsão, estava lá escrito, bem grande para eu ler, “você foi excluído da comunidade, eu acredito no amor”. Meu mundo caiu, segundo Orkut sou uma pessoa sem identidade, invejosa e além de tudo, que fomenta o ódio. Segundo o Orkut, eu sou um ser humano intragável, alguém que ninguém quer ter por perto. Estou me sentindo no BBB, toda semana sou “emparedado” e eliminado.

Meu desespero foi imenso, fui à minha agenda, pegar o telefone da minha psicóloga, precisava de uma consulta urgente, para me reencontrar no mundo novamente, minha vida virtual estava em risco, minha reputação on-line, estava comprometida. Agora o que seria de mim, voltar para o mundo real?

Estava postando esse texto aqui no blog, quando recebi um e-mail, falando sobre os chamados “bug’s” do Orkut, com seus erros, como excluir membros de comunidades de forma aleatória, sem intenção é claro. Meu alívio foi enorme, estava me sentindo uma poeira no mundo, sem eira nem beira, mas enfim, minha moral estava restabelecida. Agora só quero saber com quem reclamo? O Orkut tem SAC? Vou processar o Orkut por danos morais irreversíveis e por difamação, até já dei início a minha vingança particular, entrei na comunidade “Eu odeio o Orkut”, só de sacanagem. Quero ver me excluírem dessa também.

Agora me deixa levantar daqui e viver a vida de verdade, acho que estou perdendo a noção da realidade e chegando a conclusão que o mundo virtual causa “sim” dependência. Caso você seja meu amigo virtual, não me exclua, ainda estou traumatizado.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Infância


Descrição: Cidadão 20 e poucos anos, blusa, bermuda e papete no pé, ouvindo um MP4 e chupando uma casquinha mista. Há algo de errado nisso? Parece que sim, esse era eu agora a pouco na rua, indo pagar uma conta e todo mundo ficava me encarando, de fato, muito suspeito, mas nem liguei, estava entredito na música, ouvindo Michael Jackson, eu adoro Michael Jackson, ele é bom demais, fala sério? Ouvindo ele me lembrei de crianças, vai saber por que né? Descobri o Michael na minha infância e ele já havia estourado no mundo.

Eu, quando era criança era bobo demais, não que não seja hoje, ainda sou, mas tento disfarçar, mas naquela época não fazia cerimônias para esconder, era meio bocó mesmo, daquele tipo de criança que empina pipa no ventilador e joga bolinha de gude no tapete, também tinha medo de tudo, tudo mesmo. Meu pai sempre me perguntava se eu era um homem ou um saco de batatas e eu com lágrimas nos olhos, respondia que era o saco, meu lema ainda criança era, "Mais vale um covarde vivo do que um herói morto". Ainda é.

Eu tive uma infância feliz, estava sempre no mundo da lua, gostava de desenvolver brincadeiras que vinham direto da minha imaginação, eu e meu amigo imaginário, o Breno, que aqui em casa todo mundo diz que eu só deixei de conversar com ele na vida adulta; Isso é motivo de piada na família até hoje. Eu e o Breno gostávamos de fazer receitas especiais, chupar gelo raspado do congelador com açúcar, misturar Nescau com água, comer pão com pasta de dente, entre uma caquinha de nariz e outra. Enfim, era uma criança “saudavelmente” normal.

Alfie menino de 13 anos, inglês, que ganha as manchetes do mundo inteiro por tornar-se pai, com toda certeza acha que minha infância foi chata, enquanto eu estava no muro fingindo ser um equilibrista, com uma platéia enorme, ele preferiu ficar no muro vendo as outras meninas mais velhas passarem, enquanto eu pulava amarelinha, ele optou em pular com outras meninas, pulou, pulou, e agora é papai.

Eu na minha infância queria aqueles robôs, que erguiam o braço, diziam qualquer comando e acendiam uma luz em seu dedo como se lançasse um raio mortal. Alfie leva a vida mais a sério do que eu, ele quis um brinquedo de verdade e está com um bebê em seus braços, que não soltará raios é verdade, mas dará muito trabalho aos inimigos intergalácticos.

Se o Alfie repetir alguns anos poderá estudar com o filho, jogar bola com ele, paquerar outras meninas, e até disputar quem “pega” mais na "balada". Isso se ele não estiver casado é claro. Alfie é bem dotado, e não pense por outro lado, já pensou né? Não sou malicioso como Alfie, quero dizer superdotado, na inteligência, pelo menos é o que eu imagino ou espero. Desses que vivem a frente do nosso tempo, tomara que ele já arrume um emprego, que seja promovido, que obtenha ascensão rapidamente, e que até abra sua própria empresa. E que ele faça uma linda coisa para ele mesmo e para humanidade, algo diferente de seus pais. Eduque seu filho.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Eu e as Drogas


Meu consumo de drogas está elevado, eu assumo, sou um dependente, comecei com coisas leves, mas cheguei num estágio complicado, perdi total controle, eu confesso. No início fui curioso e experimentei assistir o programa da Luciana Gimenez, foram alguns minutos, para eu ficar completamente interessado pelo tema do programa, “Funk denigre a mulher?”.

No dia seguinte já estava assistindo de novo, onde contemplava o tema “Sou Maria Chuteira e daí?”. Acompanhei uma rica discussão acerca do mesmo, até liguei para o programa querendo dar minha opinião, mas como não era jogador de futebol famoso, apenas de fim de semana com os amigos, não consegui.

O final de semana chegou e achei que teria um momento de paz, e quem sabe restabelecer minha saúde mental, mas ao zapear os canais tive a infeliz idéia de assistir o Domingo Legal com o Gugu, aquele mesmo que já me enganou com a história de entrevistar membros do PCC, e no final era tudo uma farsa, eu ia até trocar de canal quando me lembrei dessa história, mas quando vi aquelas modelos mostrando a calcinha, com a bunda de fora, dançando uma música, cujo refrão era algo do tipo “eu balanço para você ficar louco” não resisti, a carne é fraca e fiquei ali por mais um tempo, engolindo aquelas atrações extasiantes.

Estou ligadão, como dizem por aí, por dentro de quadros de fofocas, Jornalismo sensacionalista, humor apelativo, tudo isso tem feito parte do meu dia a dia de viciado; O que consumo de mais leve é aquele programa que mostra só as mãos das modelos vendendo jóias caras, que particularmente acho eletrizante, fico torcendo para eles venderem tudo, assim elas podem colocar novos anéis na mão.

Só comecei a me dar conta desse meu vício por drogas, quando numa manhã ao me olhar no espelho, notei uma cara levemente de bunda, então decidi escrever essa crônica, também como uma carta, estou procurando ajuda, quero sair dessa, agora que começou o BBB9, estou com muito medo, não quero ter uma overdose.

Essa crônica está sendo enviada à Márcia Goldschmidt, até sugiro o tema para programa “Me ajuda, estou viciado em drogas como o seu programa”, caso ela não aceite, ainda posso tentar o programa Casos de Família, pelo menos a Regina Volpato é mais bonita.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Paralelo


Fui comprar um CD de jogo, ao chegar à loja solicitei o titulo do qual estava interessado, então o vendedor me perguntou se queria o original, ou o paralelo, me senti até mais tranqüilo em comprar, é difícil comprar algo pirata, você sempre se sente culpado depois, pelo menos eu me sinto, é uma sensação de estar destruindo a sociedade politicamente correta, mas já que ele o chamou de paralelo fiquei mais aliviado, é mais fácil falar que compro produtos paralelos do que piratas, parece que é um produto produzido em outra dimensão. Até achei que é igual você ir à farmácia e pedir o remédio genérico ao invés do “de marca”. Falando em remédio genérico, ao passar pelo centro de São Paulo me deparei com uma roda de pessoas, aproximadamente umas 20 ou 30 (sou péssimo de conta), estavam todos olhando um rapaz que falava alto, batia palmas e oferecia à todos uma pomada, que segundo ele limpava a pele, curava ferida, combatia alergia, tirava dores do corpo, dor de cabeça e até dor do rim, um produto paralelo maravilhoso, milagroso, vendida a um preço ínfimo perto de todos esses remédios que você teria que comprar para curar-se de todas essas doenças, morri de vontade de comprar umas 30 unidades, e estocar em casa, e garantir minha saúde pelo resto da vida. Poderia até fundar uma nova igreja, com o nome de “Congregação Pomada Paralela da Fé”, mas como a pomada não curava cegueira e nem paralisia, abandonei a idéia. Novela também é assim, caso não queira ver a novela da Globo, você pode assistir uma novela Mexicana. Já na política, quando você se enche de votar no Lula, ou no Serra, você pode votar num político paralelo, como o Levy Fidelix, eu iria citar o Enéias, mas esse já se foi e deixou uma herança de paralelos dele mesmo, como a Doutora Havanir entre outros. O paralelo está aí ao nosso lado, como uma segunda opção, mais barata, é claro que as vezes o Paralelo saí mais caro, vide o Ronaldo Fenômeno com suas mulheres paralelas no Rio de Janeiro.