Tem coisas que me deixam espantando na vida, como a que ocorreu esses dias, presenciei uma cena curiosa, vi duas pessoas abrindo um verdadeiro debate, para saber quem mais sofreu no hospital com o ataque de suas respectivas úlceras, ambos contavam verdadeiras epopéias, de como venceram a doença, seus olhos brilhavam de orgulho contanto suas batalhas no certame hospitalar, o auge foi quando exibiram suas cicatrizes de operação, pareciam ostentar verdadeiras marcas de guerra, que provavam suas onipotências e com sorriso no rosto diziam, “eu venci a morte”, como se a Morte ligasse ter perdido, e se ligar, será que ela vai querer revanche? Tomara que não.A verdade é que há gente contanto vantagem sobre tudo, seja quem “pegou” mais na balada, quem ganha o melhor salário, quem freqüenta os melhores lugares, quem ganha mais presentes, quem tem mais amigos no orkut, mais contatos no msn, enfim, contar vantagem é uma coisa da natureza do ser humano, mas vantagem por doença, já é complicado né?
Comecei a reparar mais, toda vez, que alguém vem contar algo que aconteceu relativo à saúde, o outro interlocutor, já se prepara para contar também suas experiências, e caso ele não tenha passado pelo mesmo, conhece alguém que passou, nem que seja o amigo do amigo, mas conhece, além é claro de ter sempre uma receita milagrosa para cura do problema, e quando você pergunta se ele já usou, desconversa, dizendo que não teve oportunidade, mas que funciona, pode apostar que funciona. De fato, de medico e louco todo mundo tem um pouco.
A inovação mais legal que fizeram até hoje, foi levar gôndolas para as farmácias, antes tínhamos vergonha de pedir vários remédios no balcão, agora é só fazer a lista e encher a cestinha, aliás, elas já estão quase do mesmo tamanho da cesta do supermercado, não vejo a hora de emplacarem também o sistema do carrinho, e até mesmo a venda no atacado. Você já percebeu que existem algumas empresas que entre os benefícios dados para seus funcionários, está dando o “vale remédio”? Até na cesta básica, não se assuste se entre o arroz e o feijão vier o analgésico junto.
Pois é, remédio tornou-se uma tentação, ganharam cores, sabores, artistas belos e bem sucedidos para promovê-los; Tomar remédio já é algo inerente a todos nós; Agora, o que mais me chama atenção são seus nomes muitos atrativos, que só de ler já é um convite ao consumo compulsivo, eu mesmo adoro quando leio Paracetamol, Diclofenaco Sódico, Amoxicilina, mas para mim, o que me deixa doidão de vontade de provar quando leio, é o Ibuprofeno, vendo pelo nome, deve ser de arrasar quarteirão hein? Bom, vou lá na farmácia e já volto.