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terça-feira, 9 de junho de 2009

O Papa é Pop?


Homem no mictório é igual a motoqueiro no farol, pára, relaxa as pernas, dá primeiro uma olhada para cima, se concentra num pensamento e virá para conferir o tamanho da máquina do outro.

Alguma coisa me diz, que esse não é um bom jeito de começar uma crônica, mas tinha que começar causando impacto. Li numa pesquisa, que quando o leitor chega ao terceiro parágrafo ele tende a ler todo o texto, por isso às primeiras linhas devem ser muito provocativas à leitura, assim você garantirá o leitor nas linhas subseqüentes.

É, eu sei, uma grande besteira, mas quis tentar com vocês, vai que funciona, além do mais esse já é o 3° parágrafo, se você chegou até aqui, objetivo alcançado, sinal que provavelmente você irá até o final desta crônica, agora não seja malvado(a) tentando provar que eu estou errado e pare de ler, vai até o final pô!

Hoje na vida, para você conseguir atenção tem que usar algum artifício, seja para vender seus produtos, para conseguir uma namorada, para ser escolhido como o representante de grupo, ser promovido no emprego, e até mesmo virar político. Vai ver é por isso que tem tanto palhaço no planalto central.

Na religião também é assim, algumas igrejas compraram canais, outras mantém programas diários de seus cultos, sites modernos, fiéis que passam no seu portão domingo 8 horas da manhã, enfim, se utilizam de todos artifícios para te chamar a atenção à salvação. Não só a forma de chamar, mas o próprio culto à Deus foi todo revisto, e hoje são atrativos, extremamente profissionais, espetáculos que atraem pessoas de todas as idades, etnias e classes sociais. Domingo fui ao noivado de um amigo, e assisti um culto assim, que poderia tranqüilamente se apresentar no teatro municipal, pois se tratava de um verdadeiro show.

Primeiro você chega a igreja, é abraçado, olhado nos olhos, coisa que no dia a dia, você não tem mais, a sociedade hoje é gelada. Depois você senta, ouve uma melodia de fundo, a igreja fica escura, foco de luz direto no palco, e a banda começa tocar um canção cheia de vibração, com melodia forte e com um refrão, que gruda na cabeça, fácil de decorar, os músicos pulam, os membros da igreja cantam junto, fica aquele canto em uníssono, coisa linda e você de boca aberta, encantado com o que vê, pois canta mesmo, só no refrão.

O som da banda desce, agora já é uma baladinha, quando você ouve uma voz de fundo, é o pastor. Fala um texto lindo, pregando o amor, a palavra de Deus, primeiro ele declama, vai subindo o tom de voz, a banda vai acompanhando, elevando o som com o ritmo de sua voz, a igreja se inflama, e todos explodem de uma só vez, como se fosse o ápice do culto, agora são banda e fiéis entoando o louvor, enquanto no palco, o pastor com os braços para céu e uma luz fixa nele, grita e gesticula o poder que sente naquele lugar. De fato uma grande apresentação.

O líder da igreja, diz que daqui a pouco terá uma novidade para todos os irmãos, mas pede que aguardem, antes irá ler um ou dois versículos, você fica ansioso, mas o pastor segura a platéia (fiéis), ele é bom nisso, um grande animador de palco (orador). Mais músicas para Deus, intercalam-se uma balada e uma agitada, dando ritmo ao culto. O Pastor volta ao palco, fala novamente sobre a tal novidade, mas antes apresentará uma dança, chama a fiel, que apresenta seu número, deixando a platéia ainda mais ansiosa.

A dança acaba, suspense! Será agora a novidade? Não! Primeiro mais uma oração, agora coletiva de toda igreja. A expectativa toma conta de todos, até penso que ele dirá que anunciara só no próximo culto, pois o tempo deste acabara, mas para minha alegria, ele finalmente anuncia. Fala do noivado de meu amigo, esse que é apresentação especial da noite, que segura a audiência da igreja, com direito a uma salva de palmas. De fato, um grande espetáculo, de luzes, músicas, dança. Um verdadeiro show!

E no domingo que vem tem muito mais, no mesmo horário e mesmo canal, quer dizer, na mesma igreja.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Promessas, descobertas e decepções



Puxa vida, como está quente em são Paulo. Será que tem haver com o aquecimento global? Se tiver tomara que o Barack Obama resolva, digo isso porque também estou empolgado, pois em todo lugar leio algo sobre o Obama e tudo o que ele fará por nós e pelo bem do mundo. Torço para que tudo de certo, confesso que não é fácil crescer e quebrar a cara com o mundo aos poucos, e ver o arco-íris se dissipar com a realidade da vida.

Esse final de ano nem escrevi carta ao Papai Noel, escrevi para o Obama e tenho meus motivos, juro por Deus, que até hoje o tal de Noel nunca atendeu um único pedido meu, e olha que deixei todo tipo de meia pendurada, mandei instalar uma chaminé e nada do bom velhinho aparecer. Agora com o Obama eu estou mais confiante, já que todo mundo também está. Na carta pedi coisas singelas, uns pequenos desejos, mas mesmo que ele não realize, me consolo ao saber que o mundo está dando uma nova importância para suas crenças.

Anota aí, nas próximas eleições aparecerão vários sósias do Obama, em uma versão tupiniquim, porém com o mesmo penteado, o mesmo terno, o mesmo discurso, a mesma boa intenção, para nós será um prato cheio, acredito que nós brasileiros não precisamos de muito para votar; Precisamos apenas de uma boa promessa, somos o maior país católico do mundo e também prometemos demais, para o Padre, para nossos esposos (as), amigos e filhos. Vai ver é por isso acreditamos ou gostamos tanto de promessas.

Eu falo por mim é claro, nessa última eleição estava procurando uma boa promessa de algum político aqui na minha cidade (São Paulo) e fiquei eufórico com a possibilidade do Maluf "o rei do viaduto", prometer o tão sonhado estádio do Corinthians, já que ele mesmo diz que "construir é com ele mesmo". Se ele prometesse já estava garantido meu voto, mas ele não fez, prometeu coisas que já tinha prometido antes, promessas antigas nunca funcionam.

Muitas vezes me decepcionei, desde pequeno me prometeram mundos e fundos, cresci e aprendi a desconfiar das coisas, muitas vezes as aparências enganam e as descobertas dão-se aos poucos, em pequenas doses. Hoje estou sempre atento a tudo que pareça suspeito, como o fato de um coelho botar ovo de chocolate na Páscoa, ou a Gretchen entre um filme pornô e outro, candidatar-se a uma prefeitura. Aceitar que tem que ir ao Urologista depois de certa idade, ou que cargo político não é hereditário ou uma monarquia, apesar de parecer. Mas o que me deixou mais decepcionado, foi descobrir que a Vovó Mafalda não era bem uma Vovó, me dói só de saber que um dia eu quis sentar no seu colo.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Espíritos


Esses dias alguém me perguntou se os textos que lê aqui no blog são de minha autoria; Respondi que sim, mas fiquei intrigado, talvez ele tivesse achado que eu era um ladrão de textos, ou então desconfiou que eu andasse psicografando de algum espírito, coisa muito comum hoje em dia.

Outro dia até li um texto psicografado, o único problema é que continha vários erros de português, talvez fosse um espírito repetente, ou semi-analfabeto, sorte mesmo tem a Zibia Gasparetto, o espírito que ela psicografa, escreve muito bem e vende milhões de livros; Mas como não quero correr esse risco, prefiro escrever eu mesmo, até porque não tenho talento algum em psicografar, e além de tudo tenho pavor desses lances mediúnicos, fantasmas, espíritos, essas coisas paranormais me deixam angustiado.

Hoje mesmo, pela manhã acordei com um barulho na sala, fiquei apavorado, era o som de alguém jogando moedas, quem diabo iria acordar cedo e jogar moedas pela casa? Não tive coragem nem de colocar a cabeça para fora do cobertor, fiquei ali só escutando, sem coragem para nada, fiquei pedindo para acordar, aquilo só podia ser um pesadelo, mas como não acordei, percebi que era real.

Apelei e comecei a rezar para Deus, que não interveio, talvez estivesse chateado comigo, já que na última noite, tinha esquecido de agradecer-lhe pelo meu dia. Foi aí que saquei tudo, era isso, só podia ser coisa de Deus, queria-me ver borrado de medo, de certo mandou um anjo aprontar essa comigo.

Ouvi barulho na pia do banheiro, a água escorria, e aquilo me gelava de medo, então veio o silêncio, mais nada, sumiu tudo, era só o silêncio, então foi aí que ouvi a sonora descarga, pois é, a descarga... É fogo ser bundão.